|
PERIGO
Em conformidade total com a higiene das mãos
Por Cheryl Littau
Nota sobre a autora: Cheryl Littau é líder do programa de desenvolvimento de produtos para a pele na Ecolab Healthcare. Possui Ph.D. em química de surfactantes e seu contato é cheryl.littau@ecolab.com.
Esta ainda permanece a variável mais controlável de todas as variáveis do controle de infecção, mas ainda existem lacunas que devem ser preenchidas em vários programas de conformidade com a higiene das mãos de estabelecimentos de saúde. Então, o que os hospitais podem fazer para monitorar e melhorar a conformidade com a higiene das mãos? Como os pacientes podem influenciar as taxas de conformidade? Cheryl Littau fala sobre isso e tira dúvidas freqüentes.
Q: A maioria dos hospitais implementou medidas para aumentar a conformidade com a higiene das mãos, mas tem dificuldade para manter taxas altas de conformidade. Quais fatores afetam a conformidade com a higiene das mãos?
As razões de baixas taxas de conformidade com a higiene das mãos são complexas e incluem fatores tanto comportamentais quanto ambientais. Normalmente, o problema está nos produtos de higiene das mãos. Embora eficientes na eliminação de patógenos, podem ressecar excessivamente a pele, o que intimida o uso.
Outros fatores comportamentais são: profissionais que acham que estão ocupados demais para parar e higienizar suas mãos entre uma consulta e outra dos pacientes. Alguns profissionais de saúde também acham que, porque estão usando luvas, suas mãos estão higienizadas. Alguns fatores ambientais que dificultam a conformidade são: o uso inconveniente de porta-toalhas, porta-sabonete, etc., que normalmente são instalados longe de onde os profissionais tratam os pacientes. Além disso, cortinas e outras separações devem ser retiradas antes de contaminar novamente as mãos ao tratar do paciente.
Poucas pessoas se dão conta de que as infecções associadas aos cuidados com a saúde (IACSs) são a quarta causa principal de morte nos Estados Unidos. Embora os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC - Centers for Disease Control) dos Estados Unidos tenham publicado que a higiene adequada das mãos é o método simples mais eficaz na prevenção de tais infecções em hospitais, a cada ano 2 milhões de pacientes contraem IACSs e 99.000 morrem dessas infecções.
Estudos mostram que uma conformidade melhor com a higiene das mãos em hospitais traz benefícios além da garantia da saúde dos pacientes através de incidentes menos freqüentes de IACSs.
De acordo com os dados do Pennsylvania Healthcare Cost Containment Council (Conselho de Contenção de Custos de Cuidados com a Saúde da Pensilvânia), os hospitais com altas taxas de conformidade têm ainda o benefício adicional do custo operacional menor. Na verdade, a média de custo do hospital é de US $31,389, enquanto que um paciente com IACSs custa aproximadamente seis vezes mais (veja o quadro).

Para entender melhor o risco de infecção associada aos cuidados com a saúde (IACSs)
Média de custo do hospital sem IACSs: US $31,389
Média de custo do hospital com IACSs: US $185,260
Especialistas concordam que a medida simples mais eficaz para prevenir IACSs em hospitais é a higiene adequada das mãos. Estudos publicados mostram que melhorias na conformidade com a higiene das mãos estão associadas a taxas mais baixas de IACSs, como parte de uma estratégia de prevenção de infecções que ajudará a melhorar a segurança do paciente e reduzir os custos operacionais do hospital.
Fonte: Relatório 2005 - Pennsylvania Healthcare Cost
Containment Council
Q: Como as instituições de saúde podem melhorar a conformidade com a higiene das mãos?
Nos últimos 20 a 30 anos, os profissionais da área de saúde têm sido instruídos individualmente sobre a importância da higiene das mãos.
Mesmo assim, a conformidade ainda é de somente 30 a 50% na maioria dos estabelecimentos. Portanto, é necessário considerar métodos alternativos para promover a higiene das mãos.
Os programas mais eficientes utilizam abordagens de múltiplas intervenções para tratar os vários fatores físicos e comportamentais que afetam a higiene das mãos. Os programas que causam maior impacto combinam produtos desenvolvidos para incentivar o uso, programas de educação e instrução ao paciente e processos de medição e referência, que permitem aos hospitais rastrear o progresso e manter taxas maiores de conformidade.
A medição inicial e o rastreio contínuo também se tornaram essenciais para o sucesso dos atuais programas de conformidade com a higiene das mãos. Os hospitais precisam estabelecer uma taxa de conformidade básica precisa e atual para rastrear e medir o progresso.
Q: Como os pacientes podem influenciar a conformidade com a higiene das mãos nos estabelecimentos de saúde que utilizam?
Para muitos pacientes, pode ser constrangedor perguntar aos profissionais de saúde se suas mãos estão limpas ou não. Porém, incentivar os pacientes a participar de programas de conformidade com a higiene das mãos pode servir como um catalisador de mudanças nos hospitais.
Programas de instrução ao paciente contribuíram para melhorar a conformidade com a higiene das mãos em uma média de 56% em um estabelecimento e manter a melhoria por mais de cinco meses, conforme estudos do American Journal of Infection Control e do Journal of Hospital Infection Control (Revista Americana de Controle de Infecção e Revista Americana de Controle de Infecção Hospitalar).
Além de instruir pacientes, estes programas podem ser vistos como uma oportunidade de fornecer uma fonte de reforço positivo da higiene adequada das mãos, ao “constatar” que os profissionais de saúde estão procedendo corretamente.
Os profissionais de saúde devem ver estes programas como lembretes de que a saúde dos pacientes, suas famílias e a saúde deles mesmos dependem muito da conformidade com a higiene das mãos. Todos sabem que mesmo uma infecção menos grave pode enfraquecer um paciente com saúde debilitada.
Para ajudar a instruir os pacientes sobre a importância da higiene das mãos, os hospitais podem criar seus próprios materiais, como livretos, pôsteres, cartazes e adesivos ou ainda utilizar materiais desenvolvidos pelos fornecedores.
Q: Uma vez implementado o programa de conformidade, como os hospitais podem manter suas altas taxas?
A chave para manter altas taxas de conformidade é mudar o que é considerado o comportamento normal, de modo que a higiene das mãos seja sempre a prioridade principal.
Para isso, os hospitais devem primeiro fornecer aos profissionais produtos de higiene das mãos que eles queiram utilizar. Estes produtos devem ser do tipo que não resseca ou danifica a pele após uso repetido e que possa ser usado diretamente de porta-produtos acessíveis.
O ideal seria que, tanto os participantes de programas de controle de infecção (ICP) quanto os profissionais de saúde que utilizam os produtos, tivessem influência direta no processo de seleção.
Um ICP pode garantir que os produtos atendam às exigências de eficácia e compatibilidade num ambiente de instituição de saúde, enquanto que os profissionais podem fornecem informações tanto sobre a aceitabilidade estética de um produto quanto a respeito de seus efeitos na pele.
Para manter as taxas altas, a medição contínua e a elaboração de relatórios podem manter a conformidade, ajudando os hospitais na validação de seus programas e manutenção das taxas de conformidade com a higiene das mãos em primeiro lugar na cabeça das pessoas. Os hospitais podem comemorar o sucesso obtido para motivar ainda mais a participação dos pacientes e dos profissionais.
Além disso, os serviços de monitoração da conformidade permitem que um hospital compare seu desempenho com outros hospitais e unidades de porte e enfoque similares. Estes dados, por sua vez, podem ser comunicados aos pacientes e profissionais para criar confiança no estabelecimento.
Q: As diretrizes de conformidade variam conforme o estado? E quais tendências você acha que podem causar um impacto na conformidade com a higiene das mãos?
Embora não exista variação nas diretrizes de conformidade por estado, as exigências e diretrizes para publicação das taxas de infecção realmente variam.
Atualmente, 21 estados adotaram comunicados públicos ou estaduais obrigatórios das taxas de infecção de hospitais. Outros 11 estados estão com o processo ainda aguardando solução sobre o assunto. (Visite www.apic.org e veja mais detalhes).
Há apenas alguns anos, não teria sido comum um hospital informar as taxas de infecção de forma pública. Porém, a publicação deste tipo de informação é uma tendência crescente, pois os pacientes e segurados estão procurando cada vez mais a garantia de que vão receber cuidados adequados. Provavelmente, será solicitado aos hospitais incluir as taxas de conformidade com a higiene das mãos no futuro.
Além disso, os hospitais devem adotar programas de higiene das mãos para atender às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Comissão Conjunta, que incluem a redução do risco de IACSs e a promoção do envolvimento ativo dos pacientes em seus próprios cuidados. As recomendações futuras do CDC estão concentradas na educação dos profissionais de saúde na melhoria e monitoração das práticas de higiene das mãos, enquanto que as diretrizes da OMS oferecem instruções sobre como aumentar e medir a conformidade com a higiene das mãos.
Com o aumento da preocupação pública referente às IACSs, esta é uma grande oportunidade para empregar a conscientização intensificada e assim ajudar a trazer a conformidade com a higiene das mãos de décadas de níveis inaceitavelmente baixos para níveis em que devem ser eliminadas todas as infecções que possam ser evitadas. Nossa visão final do futuro deve incluir profissionais de saúde, visitantes e pacientes lavando suas mãos ou usando agentes de higienização para as mãos com a mesma aceitação automática que agora temos com relação ao uso de cintos de segurança e assentos de segurança para crianças.
Sobre esta coluna
Esta coluna apresenta respostas e recomendações práticas para algumas das perguntas mais freqüentes de fornecedores e instrutores das áreas de controle de infecção e processamento de esterilização. Para enviar uma pergunta a esta coluna, envie um e-mail para Bob Kehoe, editor executivo: rkehoe@healthforum.com.
Este artigo foi publicado pela primeira vez na edição da Materials Management Magazine de outubro de 2007.

|